Frutos, uma árvore,

dois seres, recém criados, juntos.

Uma vilã, a serpente, o diálogo.

A decisão!”


     Não posso, não devo, fugirei! Essa deveria ser a atitude do recém chegado casal do Jardim. O Artesão dos céus observava tudo, atento, discreto:


    -Qual será a resposta deles, diante da vilã? – O perigo rastejante ganhará? – A perniciosa criatura enganará? Pensava bondosamente o Artesão.


Na frente do casal uma pergunta, uma decisão: Obedecer ou sacrificar? Dar uma mordida ou esperar? Será que seu gosto é bom ou ruim? Espere um pouco, ouça, uma voz: Sábia. Astuta. Perversa. A malícia os rodeava, no cenário paradisíaco de uma árvore, no Jardim da Inocência. No interior do perigo rastejante, o desejo, o roubo, a morte, a destruição. Uma inveja tamanha cobriu o olhar da víbora , da serpente!

O casal estava apreensivo. Na mente uma interrogação: -Meus olhos se abrirão? -Serei conhecedor da realidade? -Serei igual ao Artesão?

 

   -Prove! Foi o que disse o perigo imortal, o inimigo.


Uma decisão, uma mordida, um fruto compartilhado entre si. Os dois condenados, envenenados pela voz da morte, do tropeço, da mentira, da víbora! Os olhos foram abertos. A nudez percebida, logo escondida pela vergonha, pelo olhar de ambos, a realidade. O fruto caído no solo, aos pés da árvore era a prova, a testemunha. No interior dos dois, pedaços ingeridos, agora fazem parte do ser, do casal.


   -Cadê o perigo rastejante, a voz de incentivo? – Cadê a testemunha, o resto do fruto? – Cadê a coragem, para contar o ocorrido ao Artesão?


A voz da criatura perniciosa desapareceu, o resto do fruto apodreceu. Ela fugiu, como sempre o fez, escondeu-se entre as folhagens do Jardim. O Artesão observava tudo, sabia de tudo, sua criação perfeita acabou de cair, uma lágrima rolou.


  -Eles deram ouvidos à voz errada! Disse o Artesão em seu íntimo.


Caíram, perderam o Jardim. A recompensa? O exílio, a prisão fora da perfeição. O castigo? Suor, esforço, dor, a morte. De longe se avistava eles, a vergonha os seguia, o que restou foram roupas improvisadas de peles… Apenas mortais distante do seu Criador.


   -Quem voltará ao Jardim da Inocência?

Anúncios