A
Origem do começo, uma realidade que castiga.

O
inocente em minha presença, não sou nada, apenas grito: redime a
minh’alma!”




        Tenho você em meus
sonhos. Sua personalidade habita lá, nas tardes de Verão,
brincávamos como crianças em um campo coberto pelo trigal, seu
sorriso continua sendo o mais bonito, reflete luz, a segurança é
ponte entre eu e você. Entre gargalhadas e corre-corre, meu
pesadelos extinguiram-se do presente, deixando em paz minha alma, meu
ser, minha vida. Percebi que estou sendo refém da paixão
incontrolável e do amor incondicional, apesar dos obstáculos a
nossa frente, e de muros altíssimos entre nós, olhando a frente
eles não existem mais, são fragmentos do passado sem paz, que foram
jogados e expulsos dos meus Sonhos.

___Estou com Você! –
Exclamou a presença inocente.

___Acredito fielmente
em Ti – respondi rapidamente. – surpreendentemente a presença
respondeu:

___Eu sempre te amarei,
nosso elo já estava previsto nos pergaminhos da eternidade
insondável. Naquele momento meus olhos de encheram de oceanos,
lágrimas, águas salgadas. Pedi para que a presença relatasse a mim
sobre o passado, sobre a história da sustentação dos céus. Ela
prosseguiu:


     No inicio. Na
presença do Espírito Imortal que veste-se de Linho fino. No berço
da Eternidade foi gerado um ser perfeito, naquele exato momento os
céus presenciaram a Luz, glória pura.( Pedi para que ela
prosseguisse) Nem que se juntasse milhares de estrelas solares, se
compararia ao fulgor do nascimento da criança, do inocente. Sua Mãe
era a “Origem do Começo” e seu Pai era o “Eterno Infinito”.
Aquele nascimento alegrou o céus de tal madeira que as lágrimas que
caiam da face tornaram-se cristais nos lençóis negros do Universo.
Seres angelicais, escreveram uma melodia em partituras sublimes, cujo
o arranjo era magnifico, uma obra prima, uma sinfonia jamais criada e
inesquecível. Notas de puro ouro, douradas ao extremo fluíam em
direção ao quarto da recém -nascido. O Sistema Solar escondeu-se
do brilho da criança. O Eterno alegrou-se de tal modo que o chamou
de “A Essência da Glória, Minha destra!”

Os anciãos que habitam
no Infinito da extensão da magnitude do começo, lançavam suas
coroas diante do berço, diante do inocente, pois aquele que acabara
de nascer era digno de receber toda honra, toda glória pelos
Séculos dos Séculos. Com o passar das Eternidades, a criança
cresceu, se fortificou no poder, seu nome era conhecido em todo o
território do invisível. Todos tinham que o respeitar de forma
soberana, Ele é o Príncipe dos Céus Eternais, e a esperança da
Glória para os homens.”


     Naquele momento percebi
que a presença tinha compartilhado segredos escondidos. Mas por que
a mim foi revelado tais segredos? Por que eu tinha que saber sobre o
infinito? A presença apertou minha mão e apenas me disse:

__Tu mereces saber, és
escolhido!

     Cai em choro pois o
inocente estava a minha frente, estava em minha mente, estava em meus
sonhos. A presença que brincava comigo pelos campos de trigais, fez
eu ver quem eu era. Eu não era um grão de areia na praia da
existência, eu era a razão pela qual a existência existe. Tinha
uma identidade: O meu Eu, tinha uma essência: a sensibilidade, Tinha
uma doença: o mortal. A presença avisou-me que eu sou da linhagem
do castigo, da decisão do casal do jardim, sou o fruto que eles
comeram, sou a resposta que penetrou no coração deles. Sou um
homem, que apenas leva consigo o desejo, o prazer, os frutos da
carne.

     Encontro-me diante do
inocente, meu egoísmo perdeu lugar, cedeu na presença da verdade,
não sou nada, sou erva do campo, sou capim parado na estrada, sou o
Joio. Sendo assim, apenas grito:


___Redime a minh’alma!

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