Archive for agosto, 2010


Sintomas…

O incurável está perante mim, me afogo em meus oceanos


Cativo nas lembranças não concluídas

Fragmentos do medo se estilhaçam em meio ao caminho

se eu pisar vou me cortar, machucar o único membro que me põe em pé…



Cego, a luz não chegou em meu quarto escuro

grades me deixam dividido por dentro, não consigo esticar meus braços

O refrigério está na última página do livro, mas ainda estou no índice.

estou julgando o livro pela capa!
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Mente!

 

Cada pedaço do meu ser foi martirizado por minha consciência, apesar de minha relutância comigo mesmo, estou humanamente só, sem graça, com mordaça.


A briga constante com minhas decisões me deixa muito debilitado, sem ação, em prisão.


A fuga seria a saída, a depressão seria esconderijo, me esconder debaixo de vários cobertores, talvez ofuscasse a culpa que dilacera minha mente e causa uma dor cortante.


A cama temporariamente nutriria minha preguiça momentânea, deixando meu eu sem opção para escapar da martirizante decisão futura:


-Agora você tem que ir – Eu não tenho que ir pra lugar algum – Vai você!


-Me deixa em paz – Não deixo, vou te perturbar – Eu não te aguento mais – Vou ficar ao seu lado mais um pouco.


-Vou sumir… Vou me esconder… Vou para a sala de porta azul… Lá eu tenho paz.


-Quando você sair de lá, eu vou te seguir, talvez as situações piorem ou quem sabe, eu te afogue no mar das precipitações passageiras, a tua dor permanecerá, o ódio crescerá… darei risada de Ti perpétuamente…


-Cala a boca! – voz da noite, voz sem destino, não permanecerei assim pra sempre, serei amigo do sol e as trevas jamais virão me abraçar.


-Cala a boca! – Víbora! – Voz traiçoeira do jardim, estais condenada… E Eu estou livre!

********

Corro então rumo a sala de porta azul… Estou ouvindo os acordes… Meus pés dançam …


Se precisarem de alguma coisa estarei lá,
me esperem sairei de da sala em breve…

Cada pedaço do meu ser foi martirizado por minha consciência, apesar de minha relutância comigo mesmo, estou humanamente só, sem graça, com mordaça.


A briga constante com minhas decisões me deixa muito debilitado, sem ação, em prisão.


A fuga seria a saída, a depressão seria esconderijo, me esconder debaixo de vários cobertores, talvez ofuscasse a culpa que dilacera minha mente e causa uma dor cortante.


A cama temporariamente nutriria minha preguiça momentânea, deixando meu eu sem opção para escapar da martirizante decisão futura:


-Agora você tem que ir – Eu não tenho que ir pra lugar algum – Vai você!


-Me deixa em paz – Não deixo, vou te perturbar – Eu não te aguento mais – Vou ficar ao seu lado mais um pouco.


-Vou sumir… Vou me esconder… Vou para a sala de porta azul… Lá eu tenho paz.


-Quando você sair de lá, eu vou te seguir, talvez as situações piorem ou quem sabe, eu te afogue no mar das precipitações passageiras, a tua dor permanecerá, o ódio crescerá… darei risada de Ti perpétuamente…


-Cala a boca! – voz da noite, voz sem destino, não permanecerei assim pra sempre, serei amigo do sol e as trevas jamais virão me abraçar.


-Cala a boca! – Víbora! – Voz traiçoeira do jardim, estais condenada… E Eu estou livre!

********

Corro então rumo a sala de porta azul… Estou ouvindo os acordes… Meus pés dançam …


Se precisarem de alguma coisa estarei lá,
me esperem sairei de da sala em breve…



Ao som do piano meu coração acelera, Ao som da melodia meus pés se movimentam, ao som dos acordes, eu danço…





Danço
como nunca dancei antes, é como se eu estivesse livre dos olhares, das
aflições, dos falsos elogios. Observo dentro de mim que o salão é
extenso, dá pra mim passar a noite toda em movimento, pois a melodia que
irradia é realmente incrível, nunca ouvida antes. Caio em si e vejo que
estou dentro do meu ser, naquele lugar que só nós conhecemos.
Nitidamente a luz encontra seu alvo, fui direcionado há um lugar dentro
de mim, vi setas me guiando até o final do corredor das emoções, logo
após desci a escada da renuncia, na primeira porta a esquerda de cor
Azul está meu esconderijo, notei que de lá que vinham as notas musicais
que faziam meus pés se movimentarem. Queria sair daquele lugar, mas não
podia, havia um propósito em tudo aquilo, naquele acontecimento. Meus
pés não me obedeciam, lutavam contra mim, estavam tomados pela força da
canção inaudita que vinha da porta de cor azul, da alma.
*****
Paro
enfrente a simples porta, minha mãos vão em direção a massa neta,
abro-a, ouvi atentamente que era o som de acordes de piano, que por
sinal eram belos, eu nunca tira ouvido acordes tão belos e tão
preciosos, me levavam rumo a sensação de pureza total. À medida em que
eu caminhava, em direção ao centro da sala onde estava um piano de cauda
com detalhes em ouro, meu coração pulsava, a emoção tomou conta, não
conseguia me conter, e voltava a dançar… Livremente dançar. Notas
limpas e reluzentes enchiam o ambiente.
*****

De
repente ouve uma pausa, meus pés pararam, a dança foi extinta por
minutos. Vi que atrás do piano havia um ser, um velhinho, de cabelos e
barbas brancas. Era Ele quem tocava dignamente o piano, com o controle
de minhas pernas, eu caminhei para perto do Ancião. Havia um partitura.
Não sabia se olhava para a partitura ou para o semblante amável do
velhinho, que sorria pra mim de forma angelical, a calma transcendia
dele e dominava meu interior, meu próprio ser. Por um instante olhei
para a partitura, notas musicas estavam coloridas com tinta dourada, uma
preciosidade, não me foi revelado quem foi o compositor da bela obra,
só sei que, de forma honrosa foi escrita. Estava anestesiado. Voltei os
meu olhos para o velhinho cheio de vigor, e de estrutura nobre, notei
que ele estava vestindo com um terno de Linho Fino, de branco
branquíssimo, sem costura. Sem me dar satisfação voltou a tocar. Meus
pés continuaram a dançar a canção, no ritmo da Liberdade. Dessa vez ele
tocava sem parar, toques delicados faziam com que minha alma esquecesse o
mundo lá fora. Deixando – me liberto de minhas mazelas interiores e
mágoas do passado, o perdão pairava sobre nós, e eu dançava…
Dançava…

*****

Eu
dancei, alegremente dancei a valsa da aurora. Quando fui ver, me perdi
em mim mesmo, em minha lembranças, em meus anseios, nos meus romances já
vividos. Percebi então que nada se comparava a melodia incessante que
tocava o Ancião de barba branca e de sorriso sublime. Ao som da canção,
eu perdi o controle, cai no chão, o som do piano mudou de tonalidade, os
dedos corriam em cima das teclas de forma veloz. O choro tomou conta de
minha face, de meus pequenos olhos, gota após gota caía sobre o chão
duro do meu interior, naquele exato momento eu era a criança, o inocente
ser pequeno que estava experimentando o livre arbítrio, meu interior
reconheceu na hora, meu choro, minha perdas. Ao som das notas veloz eu
estava sendo redimido, estava sendo mudado por completo. Então novamente
chorei… Como um desgraçado, me arrependi, ali não existia mais o meu
querer, o meu Eu estava submisso a vontade da melodia nobre, o ritmo
purificava meu interior, neutralizava minha trevas, meu rumores de
guerras. Não existia horas, nem mudança de tempo, tudo ocorreu no espaço
entre a divisão da alma e do espírito.

*****

Levantei
do chão aliviado, quando percebi, não existia mais lágrimas em meu
olhar, pois o Ansião tinha enxugado dos meu olhos todas as lágrimas.
Sorri. Caí em um sono profundo. Quando acordei, já não existia a sala de
porta azul, o som do piano havia se silenciado, meus pés imóveis já não
dançavam mais, os acordes já extintos pelo som turbulento da vida, das
circunstâncias. Estava no mundo real, no meu quarto, paralisado em minha
cadeira de rodas… Quem sabe um dia volto a dançar sobre a planície da
Eternidade, ao som do Piano eu dance novamente…

 

           

       Talvez eu coloque tudo no lugar e sopre para que o pó saia completamente, deixando tudo limpo, um verdadeiro espelho, novinho, novinho. Com o passar do tempo o relógio deixa de dar passos lentos, impedindo que o tempo ande, permanecendo intacto, paralisado pelas atitudes errada, tola e inesperada, criando um ambiente de impaciência que incomoda a mão que escreve…A mão precisa de silêncio para se concentrar. O sofá já virou esconderijo. É caverna. Poderia ser eterno, mas não é.

Talvez a obrigação fosse encorajamento, mas já fugiu faz tempo, se perdeu no meio do caminho, do instinto. O copo de suco deveria ser a saída para a sede – já a boca decide pela água, pela sensação incondicional do primeiro gole. A caixa de chocolate se resume em pequenas embalagens amassadas pela mão, pelo desejo, que são reféns do passado, do estado. Está no ser compartilhado, no fruto paradisíaco, da voz enfeitiçada, de essência doce, prazerosa.

        Talvez eu coloque a fatia do pão no prato, seria meu corpo fatiado, compartilhado entre si, ingerido pela vontade de se alimentar, ficando pra traz as migalhas. Restos de incentivos, momentos dilacerados pelos dentes, logo após esquecido pela arrogância predestinada em fatos. A mão vive de ilusão. A Coitada pensa que pode mandar nas pessoas! Ela não manda em nada… Nunca mandou. A mão tem que ser mais humilde para alcançar seus objetivos, subindo degrau após degrau, chegando então ao êxito.

        -O que ficou?

       – A mão presente na mesa, no presente – A mão é a vilã da história, do ocorrido. Talvez ela pare talvez não, ela é rebelde, compulsiva, pega o que não deve. A mão sempre foi rejeitada, deixada no escuro, sozinha tenta se levantar,dedo após dedo, está debilitada, sem direção. A ilusão é o escudo para que ela continue inspirada elaborando frases, escrevendo sem parar, canalizada dia-a-dia verbalmente, como uma bala perdida, sem foco, sem alvo pretendido.Talvez a mão será heroína, talvez não, talvez escale prédios e chegue ao topo. Ilusão com suas frases, talvez tenha razão ,seja café quente ou não. Mas ela insiste, pois as portas ainda continuam abertas.

O
querer sutilmente se esforça para primeiro beijo – Já o ser amado
surpreende, deixando a menina dos olhos atenta e as mãos que escreve
suada.

O querer é submisso – Já o ser amado aborrece a paciência, ignora a lucidez e se entrega.

O querer pensa no horizonte apaixonante – Já o ser amado se prende no detalhe, fitando de forma provocante o suspiro da alma.

O
querer gosta de sinfonia – Já o ser amado faz barulho, faz com que o
coração bata forte, juntamente com o ritmo do primeiro encontro.

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Tanto
o querer como o ser amado caminham juntos, ligados na força da mão, do
beijo, do sentimento, que faz a perna tremer, da garganta secar.
Os dois, eu e você, você e eu. Agarrados um ao outro, no gesto, no carinho, na voz.
O querer segue o aroma do ser amado, que insiste em agarrar, amar e amar…